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sábado, 11 de setembro de 2010

O pai


Aquele olhar brilhante,
Quem dera fosse alegria.
Aquelas lágrimas rolantes,
Quisera ser de boa epifania.

Mas assim ele estava era de pura tristeza.
A cútis vermelha, peito angustiado,
Mergulhados no amargo do passado,
Perderam nos dias cruéis a rigidez e a beleza.

Ele estava só.
Carinho algum pros filhos dava, tampouco recebia.
Sua dor era a maior,
Repúdio e sofreguidão era o que conhecia.

Sentou-se sobre os tornozelos.
Ninguém com ele falou.
Era o Homem Invisível,
Um cão, um troço qualquer - ele pensou.

Mas o pai não pensou que seu filho inspiraria.
Oxalá a tinta mentisse e escrevesse alegria.
Usurparia o Redator-mor
E na história do homem, acrescentava o amor.

Ignácio

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Coração de Vidro


Uma overdose de sentimentos,
A frustração de uma alma anelante,
Um coração estraçalhado, duro e cruento,
As lágrimas secas de uma índole errante.

Sim, eu to cansado!
Cansado dessa exigência, dessa alveza.
Cansado da mentira, do meu engano, do meu estado.
Cansado da minha luta, cansado da minha franqueza.

O profeta anuncia, escreve, grita.
Eu ouço, anoto e depois esqueço.
Eu choro e desejo luz na minha mente,
Mas sem querer, meu coração endureço.

E vêm me dizer que sou uma alma branca,
Quando dentro de mim moram traças de livro,
Dentro de mim tem dor e dor em chamas.
Dentro e mim, não de carne, mas um coração de vidro.

Ignácio

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Não sei se tem poesia, mas ardeu!


terça-feira, 27 de julho de 2010

Esboço pedante

Eu sou um esboço,
Um esboço que não virou arte.
Eu sou um esboço,
Um esboço que perdeu a humildade
E tomou vida própria,
Mergulhou no seu ego
E desenhou-se, pintou-se, pregou-se...
Um esboço que rumou à sua própria sorte.

Sou obra que rebela-se contra seu dono,
Argila frenética que não se molda,
Sou o barro que quer ser porcelana,
Sou poema que recusa o poeta,
Dor que não aceita o eu-lírico,
A melodia que enfurece os ouvidos,
A pele que não aceita o arrepio.

Percebi que fui livreto esquecido.
Achei-me em solidão.
Encontrei vida em minhas páginas velhas,
Apaguei letras que não eram minhas,
Iventei um novo enredo,
Deletando o passado com um misto de dor e resignação.


Ignácio