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sábado, 7 de maio de 2011

Sexta, 06 de maio de 2011

Achamos o corpo de meu pai na última quarta.
Após a procura que levou toda a noite de terça, entrou na madruga e se estendeu até a manhã de quarta, encontraram seu corpo no mesmo lugar muitas vezes me diverti no passado, nas minhas idas às escondidas (da mãe) ao açude próximo à casa do lugar chamado Bom Princípio, quando descobri o prazer de nadar e de sentir o perigo e adrenalina de sair sem ninguém saber pra onde se vai.
Ele foi ausente pelas circunstâncias que levaram a minha família dele a se romper. 
Cresci praticamente, buscando entender porquês, tendo inveja da casa de um amigo que guardo na memória até hoje. Tinha inveja dele porque ele tinha irmãos quase na sua idade, mãe e pai que eram carinhosos.
Com o tempo, senti solidão quando meus irmãos que são bem mais velhos que eu, que tiveram outra estrutura familiar, saíram de casa e fiquei com minha mãe, quando dos meus oito anos.
Tantos episódios, histórias, tardes, ares... Tive tendência a olhar os outros numa perspectiva maior. De perto da tela, tudo o que você lê aqui são pontinhos insignificantes, mas se distanciar uns centímetros entenderá o que está escrito e as imagens... A vida é assim também.
Na minha distância pude observar de meu ponto de vista, os outros. Sempre procurei ver algo mais nas pessoas, sempre pude encontrar coisas que nem mesmo imaginava na minha mente de criança. Acho que não fui uma criança inocente de sentimentos. Não sabia o significado deles e tampouco das sensações que as vezes os sentimentos me proporcionaram.
Enfim, fui e sou diferente, mas comum na mania de me achar diferente porque de fato, somos um universo em cada ser. Mas somos um em um todo.Tudo muito louco, mas real. Não somos tão distintos de nossos próximos, amigos, detestados, desconhecidos...
Mas não somos tão parecidos também...
Não amei meu pai como queria amar quando era criança, pois minha memória de dois anos de idade me é vaga, pouco me oferece além de sonhos que guardo na lembrança, na parece da memória, como diz a canção.
Não posso me dizer que não o amei, amei como meu coração aprendeu: ao dormir, criança, dizia pra Deus o proteger e abençoar, na tentativa de não esquecer que tinha um pai.
Quando tinha oito, nove anos, sei lá, ele veio até aqui, mas nem olhei muito do rosto dele apesar da conversa sem graça que tivemos, fiquei acanhado, bobo.
Não imaginaria que quase uma década a frente, ele voltaria a morar em casa e meu sonho bobo, guardado e escondido, de ter pai, seria realizado.
Não tive muita proximidade com ele, nos últimos anos. Mas abracei ele uma única vez, quando ele chegou, quando se reconciliou com minha mãe, uma reconciliação que não perdurou muito. Meu pai não foi como queria. 
Mais uma das coisas que não acontecem como queremos...
Sei que ele me amou e amou meus irmãos e mãe, da forma dele. 
Eu hoje, após ver ele sendo retirado da água, após as flores que deixamos na sepultura, sei que ele pode ter feito seu melhor. 

Mas enfim, tudo terminou no lugar “Bom Princípio”. Apesar das últimas dores, uma nova etapa se inicia. 
Eu o amei da minha forma. Talvez não como ele desejou. Mas o amei e sei que houve reciprocidade.
Amo. Eu amo. Amar soa ridículo para alguns. Mas se você que lê essas linhas e é meu colega, conhecido, irmão, sobrinho, amigo, saiba que todos nós temos um lugar nas lembranças de outros. Somos amados. As vezes não como queremos, mas somos. E no final, veremos que o que importou mesmo é que houve amor e amor não se conjuga no passado. A gente muda a forma de amar as pessoas que passam na dinâmica tão frenética dessa vidinha, mas a gente ama...
É isso... Meu pai agora será memória, mais uma vez. Agora eternamente.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Eu quero cantar uma canção que afogue meus medos e receios da vida futura.
Eu quero uma certeza do sucesso e regozijar-me na alegria deste.
Quero cantar em tons e semitons, desde que seja pra ser feliz e sempre ter luz.
Sim, eu quero a amizade mais sincera que existe e louvá-la e que esta seja inspiração de poemas e que a poesia nasça e não morra nunca em mim.
Quero o mais apurado dos prazeres humanos e que estes não profanem a divindade que é esquecida, mas que a coroe e a honre.
Quero o mais límpido dos sorrisos e o mais brilhante dos olhares e que tua pupila seja para sempre minha paz e abrigo.
Quero teu abraço que me tira dessa dimensão e me faz ser mais crente na grandeza da Existência.
Quero sempre a satisfação de nosso encontro e que sempre a transcendência nos envolva em esferas brilhantes e que as notas de nosso violão nos façam flutuar numa massagem acima da compreensão.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nas coxias

Eu já pus os pés na estrada
Tão cedo e assim já estou
Sim, eu já coloquei a máscara
Estou pronto pra ser quem não sou

É normal e rotineiro agir dessa forma
Não sou eu apenas quem faz assim
Cada vez mais hipócrita isso tudo se torna
Honestidade e ser sincero te conduzem ao fim

Quem faz certo, anda na contramão
Ética é papo de introdução à universidade
Vai agir de bom grado, que o rumo é o chão
Na vida real, as regras não condizem com a forjada verdade

E falando em verdade, que diabos é isso?
Em terra de sapo, mandaram-me coaxar
Será que esses 'rolos' não chegam ao Fisco
Ou o honesto é quem vai tributar?

Tributo é assunto que faz sofrer
Tanta gente se mantando todo dia
Se matando só pra comer
Quem está aqui, não são eles...
Somos nós que estamos na coxia.

Ignácio,

cansado disso tudo...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tudo seria mais simples se eu fosse mais simples
e não procurasse ver-te, conhecer-te além do véu, vida...
Tudo seria mais simples se eu não me castigasse nessas linhas.
E elas surgem do teu enigma e me amarram em teu rosto.
Tudo seria mais simples se não conhecesse em mim, a necessidade de conhecer o que não sei...
E se a minha sede pelo desconhecido não me deixasse mais eufórico e inutilmente preocupado,
seria mais um pardal que não anseia por ares mais altos.
 Como queria chegar a ter vontade de ser mais simples e não me perguntar tanto,
não me envolvendo nos meus lapsos e incógnitas, vivendo débil e tolamente.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Esboço pedante

Eu sou um esboço,
Um esboço que não virou arte.
Eu sou um esboço,
Um esboço que perdeu a humildade
E tomou vida própria,
Mergulhou no seu ego
E desenhou-se, pintou-se, pregou-se...
Um esboço que rumou à sua própria sorte.

Sou obra que rebela-se contra seu dono,
Argila frenética que não se molda,
Sou o barro que quer ser porcelana,
Sou poema que recusa o poeta,
Dor que não aceita o eu-lírico,
A melodia que enfurece os ouvidos,
A pele que não aceita o arrepio.

Percebi que fui livreto esquecido.
Achei-me em solidão.
Encontrei vida em minhas páginas velhas,
Apaguei letras que não eram minhas,
Iventei um novo enredo,
Deletando o passado com um misto de dor e resignação.


Ignácio

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Para onde tu levaste minha mente?
Por que tu roubaste minha paz?
Por dentro estou em lágrimas, descontente
Só porque aqui não te vejo mais

Como dói a tua ausência
Choro como cria rejeitada
Para te ver rogo em clemência,
Mas tua resposta é o silêncio, é o nada

Misericórdia, eu te quero, tu não vês?
Não me deixes só com tua lembrança
Carregue-me no teu colo, toma-me de vez
Seja meu dominador, meu pai, sou tua criança

Olhe para mim, meus olhos não abandones
Toma-me, quero as brasas do teu leito
A angústia de perder-te me consome
Não me soltes, possua-me do teu jeito

Faças de mim o que bem entender
Não me importa onde vais me levar
Minh'alma e meu corpo querem a ti pertencer
Não me lances fora, em ti vem me guardar

Ignácio

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma tentativa de poema...

O céu anuncia que o dia acabou
Os astros me demonstram que deveria adormecer
Lá fora todo barulho cessou
Mas aqui dentro uma sede de ti vem me endoidecer

Eu deveria dar descanso ao meu corpo
Sinto que deveria poupar-me desta dor
Não é nesta carne onde me torno louco,
Mas nos labirintos dos olhos teus, amor

Que vontade de beber em teus lábios
Minha pele anseia o calor dos teus braços
Até minha razão converteu-se em delírio
Até minha candura está sob teu domínio

Que feitiço lançou sobre mim?
Por que tua ausência me maltrata assim?
Desfaleço de saudades de uma noite não vivida
Quero ser teu por inteiro antes de tua partida

Ignácio

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sem sentido

Eu procurei para este agora, definições e palavras.
Procurei desvendar o teu olhar. Tentei enxergar atrás de teus olhos e almeijei ler os teus pensamentos, mas cada passo que dava, perdia-me mais e mais.
Eu quis conhecer os teus caminhos e desejei ir atrás de ti. Pensei em invadir teus sonhos, tocar tua pele e adormecer ao teu lado.
Deu-me vontade de te seguir de perto, vigiando-te – mordi meus lábios quando ouvi tua respiração-. Minhas mãos gelaram ao te ver de longe, o coração palpitou forte, mas não tive coragem para balbuciar um só som.
Sinto o teu cheiro, em verdade, criei um que ainda não inspirei, mentalizei essa fragrância em ti, tu a absorveu.
Não compreendo porque essa vontade de proteger-te está viva em mim. Não entendo como te inspiro confiança e nem tão pouco como minha ridicularidade e insensatez se tornaram vício e júbilo junto a ti.
Não sei se és apenas inspiração. Não sei como, mas perdi o que sobrava de minha razão. Não sei como, qual o teu método, mas tendes o dom de me fazer ser o mais sincero quando entendes minhas palavras, quando paras para ouvir meus textos ingênuos.
Eu nem preciso falar muito, apenas olhar-te já me satisfaz e me dispo ao ver a vida em ti, ao ver que bem estás, ao mergulhar no rio enigmático dos teus olhos, digno de Robert Langdon.
Não posso deixar de falar-te que quando pairo em mim, uma tristeza me assola. Não é por nada, é só mesmo porque ainda não aprendi a voar para chegar até a ti, quando dormes, para acariciar e cheirar os teus cabelos. Porém , num momento de inclinação, sinto que agora habito em tua mente. (Quisera eu não estar enganado)
Posso pedir somente uma coisa, um único favor? Aceite-me como morador dos teus sonhos, seja o que detém as minhas melhores impressões. Guarde-me, não me deixes desfalecer. Proteja-me, não me deixes macular. Deseja-me, sinta-me, guarde a minha voz, faças de mim tua mais doce lembrança. Guarda-me em ti e perene me tornarei, os dias não cessarão meu viço, nem, o tempo roubará a doçura de menino que me resta. Só guarda-me e quando te sentires sozinho, encontrarás em teu interior minhas frases simples, mas carregadas de um sentimento novo, pertecente só a nós.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Encarcerado no nada

Eu encontrei um abismo em mim. Na verdade eu não encontrei. Ele se apossou de mim naquela noite indescritível...
Perdi todos os meus sentimentos, conceitos, sensações, perspectivas, toques. Aqueles minutos foram eternos para mim e tive que me refugiar no sono, que por sua vez não queria vir.
Eu aprendi naquela noite que o nada toma forma. Eu aprendi naqueles instantes amargos o que era a inexistência e que a ausência de vida emocional, resquícios de alma e os demais corpos em mim, são o que lapidam o valor do dom da vida.
Eu amargurei aos céus, supliquei a Deus que arrancasse de mim a percepção do nada... o nada se apoderou de mim e eu me via amarrado, torturado pela notória sensação que era um animal sem presença divina, sem natureza espiritual, um verme morto e imprestável aos amigos organismos decompositores.
Foi a primeira vez que tive a impressão que saí do meu corpo denso. Mas se saí, saí sem querer... Aquele estado mental, fez-me repudiar às fragrâncias, as cores, os sabores, os toques, os desejos e sonhos futuros. Eu não entendo como percebi todo o vácuo e todo sentido da minha vida e das vidas entrelaçadas à minha, indo pelo ralo da percepção humana em instantes... Também não entendo como pude reter esse nada e passar tantos dias e dias para aqui registrá-lo...
Graças a Deus que dormi e pude remar para fora desse turbilhão sem sentido...dormi, mas nunca esqueci que sou escravo das sensações, da consciência que dependo da fé...


Ignácio

Um momento saudosista...

Tenho procurado na caixa de minhas lembranças o coração que tive quando criança, mas que perdi com o passar dos dias.
Que saudade de quando ouvia as vozes e não duvidava, sempre de bom grado atendia e não via má fé em ninguém. Hoje, chamo isso de ingenuidade e ingenuidade é uma das melhores coisas que já tive em maior escala.
Mas que saudade me dá agora de minha ingenuidade. De quando o mundo parecia mais simples e menos marketeiro, especulador, mais colorido e menos devastado pelo monóxido de carbono e menos preocupado com tempestades solares.
Saudade de “O Fantástico mundo de Bob”, do seu triciclo pelos corredores... Saudade da pipoca com manteiga da terra quentinha na calçada da igreja. Saudade de meus amigos correndo na praça sem preocupação com as aparências, com que os outros estavam pensando, fazendo (eu só descobri que eram meus amigos, muito mais tarde).
Sinto saudade de quando não me preocupava e de quando o dia passava mais devagar. Saudade do meu perfume de criança... Ainda guardo o cheirinho até hoje. Me deu uma saudade do meu uniforme da escola que eu detestava usar...
Saudade de minha amiga, bem velhinha, a Dona Ana. Saudade de quando ela me olhava e dizia que eu tava crescendo. Até hoje não sei como ela assistia duas novelas em canais diferentes e ao mesmo tempo. Saudade do cheiro da sala dela e um remorso de não ter dado o último adeus.
Sinto saudade do pé de cajá. Eu brinquei tanto de recriar uma vida com as frutinhas que arrancava antes de estarem maduras: as cajazinhas eram pessoas, com nomes e histórias.
Saudades de quando olhava pra mamãe e não via sinais de que o tempo ta passando. Saudade de ler os cordéis que a mãe Chica guardava e só deixava eu ler se ela estivesse perto (hoje nem sei onde eles foram parar). Saudade do café com leite dela. Nunca mais tomei um igual.
Saudades de olhar pro céu à noite e notar a mudança na posição das estrelas, de ver os aviões passando e começar a pensar qual seriam os diálogos que se travavam lá dentro.
Saudade da saudade que sentia dos meus irmãos. Quase morri de saudade quando Margarida foi viver a vida dela em outra cidade. Saudade de quando eu não me via diferente dos outros. Saudade da sensação de aprender a andar de bicicleta pegando a bicicleta do meu irmão e quase ser atropelado por um vizinho. Saudade de meus desenhos e de sonhar voando... Saudade de quando li O Pequeno Príncipe, da raposa...
Saudade dos dias que se foram. Mas se fosse possível que estes voltassem, eu não queria vivê-los todos em sua totalidade!
Eu quero o novo, o amanhã. As novas emoções, os novos conceitos, definições, novos sorrisos, olhares, energias. Só quero de volta aquela inocência boa, de nunca esperar as más ações. Mas ela não volta mais...
Então amanhã, terei saudades do que sou hoje. Terei saudade desse saudosismo que bateu em minha mente, em meus olhos, trazendo emoções vividas e revivendo cenas, fragrâncias, brisas.


*
Uma noite que adentrei nas memórias um tanto distantes.

sábado, 19 de junho de 2010

Palavras quase ditas

Não Dona Maria, não vou fazer o que achas que devo fazer.
Que culpa tenho eu se não nasci com esse mesmo conformismo ou como preferem chamar, "juízo"?
Não tenho essa paciência de aceitar a mediocridade, a crueza de coração. 
Eu gosto de poesia, de palavras novas, sentir o que eles sentiram quando marcaram o papel.
Não quero esse ímpeto de viver por viver. 
Eu quero mais. Mais de mim mesmo, menos dessa forma cansativa e forjada que inventaram de se passar pela vida: mesmas canções, mesmas vestes, mesmas frases, mesmas máscaras...
Não, eu não agüento! Não desejo ser mais um tijolo na parede, não quero, repudio essa concepção, essa aceitação.

E daí se eu posso ver no Che tanto o herói como o carniceiro?
E daí se eu também vejo o criminoso como a vítima de si mesmo?
E o que vais fazer se eu não consigo ficar no mesmo lugar onde tem forró tocando? Meu Deus, esse tal Dejavu é um pecado contra a palavra música! (Não vou comentar o Rebolation. É muita cultura pra mim...)
Eu tenho culpa se meus ouvidos preferem o Villa lobos, o Chico e Elis?
Eu tenho culpa Chiavenato, se eu prefiro os poemas do Neruda?
Eu não vou ser como tu queres! Repito?
“Tá” bem: Eu não vou ser!

Não vou pôr bandeirinhas verde-amarelas na rua com vocês, não vou! Todo mundo virou crítico de futebol agora? Não bastam os programinhas esportivos, ou melhor, “futebolescos" que se aglomeram em todos os canais? Não basta no Twitter o #CALA A BOCA GALVAO? Ainda tem o Milton Neves que de tão chato ganhou minha audiência umas duas noites seguidas...


E por que, explique-me minha prezada, se você sabe que não sou fã de refrigerante, enche um copinho para mim? Eu não vou bancar o educado. Eu não vou beber!
E por que você quer sair do emprego se você não vai encontrar nada, já que não sabes ser útil? Eu tenho culpa se você está embriagada e mergulhada na sua infelicidade?

Não vou ouvir você, minha vizinha, ou melhor sua TV gritando um troço funk altíssimo em plena 00:00 horas. Também não vou ouvir seus três cães vira latas durante toda a madrugada num latido quase erudito, escalonado, ensaiado e proposital: de meia em meia hora exprimem toda a loucura absorvida de vossa senhoria. Tenha dó dessas criaturas! Livre os coitados de sua filha irritante. Eles estão estressados com a presença dela.
E por favor, amorzinho, tira esse CD dos Beatles!... Eu gosto deles, mas to com os poucos neurônios que me restam cansados. Só é isso! Eu sei que você é uma moça fora do convencional... Mas não me fale de seu professor de educação física...

Sim, Sra. Francisca, NIS tal e CPF tal, o que sucedeu foi um problema no meu software, por isso seus “papéis” ainda não deram certos. Mas é questão de tempo, não se preocupe... Tenha uma boa tarde!
Não Professor, não me venha falar essa palavra pela enésima vez... Você só conhece essa? É parâmetro pra cá e pra lá... Parâmetros dão lucros, insumos, são as despesas... Ah, sim! O feedback, os ativos, o CMV...
Tá certo mãe, já vou dormir, sei que tá tarde!...


Ignácio



sábado, 27 de fevereiro de 2010

Olho para as núvens procurando fuga. Fugir dos meus pensamentos, fugir das minhas definições de quem eu sou, do que penso. Não sei o que sou e não sei o que quero ser.


Baixo meu olhar, procurando não ver os rostos pelas ruas. Não quero encontrar caras, outros olhos. Quero encontrar o eu, ou mesmo matá-lo. O que quero não sei.


Meus olhos choram. Minh'alma morre. Eu me entristeço. Penso que estou só. Ouço o vento movendo as folhas, sento no quintal. Sinto meu pé no chão. A terra tá quente, as plantas (roseiras de minha mãe) estão murchas... Não sei se tão murchas quanto meu coração; não sei se tão caídas como meu semblante.


Os ruídos chegam. A inspiração quer ir embora. O amor quer me faltar. As esperanças e sorriso, também.


Quem sou, quem fui eu, quem serei... Indagações que só Deus sabe respoder. A escolha é minha.


A prosa, o verso não criam forma. A gramática some e a boa ortografia me desafia. A emoção me deixa e fico como mata no sertão seco.


Um buraco no peito, um frio no estômago. Queria que minha mente fosse como um balão, afinal, seria bem fácil explodí-la, ou mesmo desatar a boca. Mas não é.


Então o remédio é a busca da paz, no aconchego do colo, da presença nas letras, da caneta na folha, em mim...


Quanto mais me escondo de mim, mais me encontro.


Covarde! Eis o que sou!


Um covarde, um rascunho de um texto numa folha amassada...


Uma vida tentando escrever-se em linhas...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Uma pergunta, por favor: Quem sou eu?...



De 07:00 às 11:30, 12:00, sou auxiliar administrativo, digitador, atendente, zelador e as vezes tenho que bancar de psicólogo...


Após, ao meio dia, sou o filho indo para casa na espectativa de "pegar o rango" preparado por minha mamãe (sou um filho muito bonzinho)...


Aí como agora estamos no horário de verão e aqui no Ceará não adentramos nessa, às 12:15, sou telespectador do Jornal Hoje (uma das poucas coisas boas da Globo). Depois do término deste sou um cara suado graças aos 30°C cotidianos do meu Ceará.


Logo, às 13:00 volto a ser o auxiliar administrativo, organizo pastas contábeis, alimento planilhas, passo dados para o soft chato.


No fim do expediente, preparo-me para ser usuário insatisfeito do transporte público que me leva até a faculdade, onde dependendo da ministração da aula, passo a ser o acadêmico mais interessado naquela obra ordinária de "trocentas" páginas, ou o maior dos entediados da galáxia ou ainda no mais medíocre dos alienados...


De 22:15 às 23:40 sou um corpo cansado e uma testa dolorida das batidas na janela do ônibus onde tiro um cochilo na viagem de volta a minha cidadizinha...


Depois das 23:40, sou um apaixonado esperando minha amada chegar noutro ônibus do curso de Inglês e permaneço assim até a meia noite.


A partir daqui sou um beijoqueiro até umas 24:20 (no máximo)... Após 01:00 da madruga sou um dorminhoco que mal entrega suas orações a Deus.


Mas para os outros, nada sou. Pelo menos, nada demais... Para uns sou o baixinho enjoado, o aluno aplicado, um contato sempre on line, um filho legal, um vizinho antiquado (que odeia RBD idolatrado pela bobona da casa ao lado), um fofo de namorado, um amigo que ouve, uma boca carnuda, um olhar sagaz, umas palavras apenas...


E no fim, somente sou o que nem sei quem sou, sou talvez o que queria ser, o frustrado angustiado, um nariz irritado, uma mão suada, uma bunda engraçada, um blog mal feito, um leitor com sono, uma obra inacabada.


Mas no fim, quem sou?
Ignácio
Imagem da Internet

quinta-feira, 22 de outubro de 2009


Quando eu era menino, pensava como menino e agia como tal (e ainda ajo, as vezes). Mas muita coisa mudou desde então...

Quando olhava o céu nas noites, como ainda hoje faço, não passava por minha cabeça toda a questão da dinâmica dos astros, força gravitacional, rotação, anos e velocidade luz...

O céu era apenas um fundo negro onde tinha pequenos raios de luz que por sua vez podia ser vermelha, verde ou branca mesmo. Eu era apenas um espectador da dança das núvens que com o brilho da lua ficavam em tons de cinza, enquanto o vento soprando tirava aquelas que insistiam em cobrir aquela roda que me parecia maior que as estrelas e que me fazia lembrar da pele do rosto de um conhecido meu (de pele acneica).

Não havia em mim a ideia de que eu fazia parte dessa "dança das núvens", que eu é que estava girando no vácuo, que a lua hora cheia, hora em "D", depois em "C", era fruto do gingado do planeta azul e que as estrelas são imensuráveis e impensavelmente maiores que eu, apenas um menino...

Depois eu já não ficava "dodói". "Nossa, tu tá doente!" Aí descobri que havia muitas e incontáveis vidas que sofriam dores mil, que não tinham dinheiro pra comer, não tinham a sorte de ter uma mamãe como eu tinha (e tenho), que já havia anos que não via a tia da escola e nem seus coleguinhas.

Foi quando eu descobri o hospital e o pior, conheci a área que cuidava dos casos de câncer. Logo aprendi que câncer era o mesmo que morte e, morte era dormir para sempre, fazendo com que uns chorem pelo fato e depois esqueçam que um dia esteve lá com eles.

Foi então que eu descobri que a vida é nascer (sair da mãe) e morrer (entrar no chão), ou seja, chamamos de vida o intervalo entre o nosso nascimento e morte. Aí me disseram que a tal vida só vale a pena se tivermos amor próprio, a mamãe, os seus coleguinhas de escola, um amor diferente do da mamãe, filhos nossos, gatos, cães, passarinhos e plantas.

Aí foi quando percebi que tenho medo de não ter o "intervalo de tempo" entre minha DN e óbito, feliz.

Percebi que queria ter felicidade, amigos, livros, gosto pelo o que faria, bichinhos de estimação. Mas aí fiquei sabendo que as vezes não dá e que mesmo não dando, não se pode atrapalhar e invejar as vidas que são "legais".

Hoje, quando já não sou mais tão menino, percebo que fui feliz, mas que eu poderia ter olhado melhor o que girava ao meu redor, anotar tudo. Se eu tivesse feito isso, não tinha esquecido como era ser menino, quando podia agir com um tal...