A chuva veio ontem, lavou essa terra, apaziguou o calor, o que faz de imediato minhas glândulas sudoríparas ter um pouco de sossego...
O cinza que toma conta dessas ruas me é tão confortante...
Ele faz tudo ficar mais fácil para mim, mais perceptível...
Diminuem a quantidade de pessoas nas ruas, ficam só os pingos no chão da pracinha, uns cães insistentes e jovens que repetem a cada estação a velha oportunidade de jogar uma pelada defronte à matriz, com o busto do Emílio dando uma de juiz.
É um programa novo tomar banho de chuva, afinal, sol o ano todo entedia...
Não se precisa de chuva para a poesia nascer, mas essa calmaria que invade, é um convite para aquietar-se e escrever algo, criticar a programação da TV aberta, xingar o cachorro que está molhado e "gritando"...
A dinâmica da vida é uma grande orquestra, cheia de maestros, de músicos relutantes, de sons repetidos, mas necessários...
A chuva aqui torna as coisas mais simples, mais vivas e mais minhas. Eu tomo todas as ruas, todas as árvores e os pardais encharcados para mim. Tudo me pertence enquanto os outros escondem-se em suas casas.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
E deixa o vento levar, deixa o tempo apaziguar...
Deixa essa arte te mostrar o sagrado da vida.
Deixa essa vida se revelar, assumir a roupagem transcendente...
Deixa a ruptura mostrar o que estava oculto, o novo, o mais excitante e fiel à tua essência.
E o que é certo? O que é errado?
Se corpo é puro, porque a alma é maculada?
Se a bainha é moral, porque a faca é imoral?
A faca corta a bainha, rasga a carne, mata o homem... Engana a tua, faze-a de boba, sê feliz...
Deixa criar asas, voa!! Vai longe, chegue alto!
Não julgues tanto, não espere tanto, não tão pouco.
Não adies os bons projetos, execute-os logo.
Gere sempre e sempre novos sonhos e ideais.
Fixa-te!
Ama.
Ama-te.
Alinha-te.
Perde a linha uma vez ou outra.
Deite, deixas falarem...
Respira fundo,
Projeta-te, corre...
Para, recomeça...
Deixa essa arte te mostrar o sagrado da vida.
Deixa essa vida se revelar, assumir a roupagem transcendente...
Deixa a ruptura mostrar o que estava oculto, o novo, o mais excitante e fiel à tua essência.
E o que é certo? O que é errado?
Se corpo é puro, porque a alma é maculada?
Se a bainha é moral, porque a faca é imoral?
A faca corta a bainha, rasga a carne, mata o homem... Engana a tua, faze-a de boba, sê feliz...
Deixa criar asas, voa!! Vai longe, chegue alto!
Não julgues tanto, não espere tanto, não tão pouco.
Não adies os bons projetos, execute-os logo.
Gere sempre e sempre novos sonhos e ideais.
Fixa-te!
Ama.
Ama-te.
Alinha-te.
Perde a linha uma vez ou outra.
Deite, deixas falarem...
Respira fundo,
Projeta-te, corre...
Para, recomeça...
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Teus olhos me despiram, sem esforço.
Sem esforço algum tu me viste por completo, minha alma, meus segredos e medos...
Enxergou meu abismo, minha escuridão, meu mundo particular...
Tu me deste tuas canções, tuas angústias e tuas meninices regadas com lágrimas noturnas.
Eu te dei meus ouvidos, meu coração dolorido, mas te ofereci um sorriso verdadeiro, rasguei meus rótulos...
Eu nunca havia crido em almas aladas, em vidas entrelaçadas, em destino. Mas tudo isso me faz sentir ou precisar acreditar num enredo especial, numa trama épica, digna de contos do Montenegro ou da sofreguidão das interpretações da Elis...
E me diz o que é tudo isso! Fala-me, convença-me que estou num mundo paralelo...
O portal para tudo isso foi teu olhar, tenho certeza...
Ah foi, tenho certeza... (risos)
A chuva caía, os outros dormiam, as horas em velocidade medonha passavam... e nós aqui no chão, no tapete, atrás da porta (ê, Chico Buarque!!)... Fisicamente, nada, nada, nada...
Mas nossas almas, nós sabemos. Sabemos que elas conversavam, se abraçavam, como se dantes tivessem sido separadas numa cisão dolorosa e um milagre do Eterno, depois de séculos, tivesse trazido às tais a união perdida...
Quão bobamente choravam, sorriam, ao som das canções melodicamente preparadas para elas. Os compositores não sabem, mas eles comporam para elas, para aquele momento trivial, simples, porém mágico e puramente preparado por forças divinas.
Elas se encontraram, mas ambas tem vidas um tanto distantes, num mesmo mundo físico, separadas pela função tempo-espaço, mas sabem que num determinado momento, encontrar-se-ão novamente e tocar-se-ão limpidamente, como só as almas puras sabem e podem fazer. Sem treino e sem medos, apenas pelo dom divino, passado quando da criação.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Nas coxias
Eu já pus os pés na estrada
Tão cedo e assim já estou
Sim, eu já coloquei a máscara
Estou pronto pra ser quem não sou
É normal e rotineiro agir dessa forma
Não sou eu apenas quem faz assim
Cada vez mais hipócrita isso tudo se torna
Honestidade e ser sincero te conduzem ao fim
Quem faz certo, anda na contramão
Ética é papo de introdução à universidade
Vai agir de bom grado, que o rumo é o chão
Na vida real, as regras não condizem com a forjada verdade
E falando em verdade, que diabos é isso?
Em terra de sapo, mandaram-me coaxar
Será que esses 'rolos' não chegam ao Fisco
Ou o honesto é quem vai tributar?
Tributo é assunto que faz sofrer
Tanta gente se mantando todo dia
Se matando só pra comer
Quem está aqui, não são eles...
Somos nós que estamos na coxia.
Ignácio,
cansado disso tudo...
Tão cedo e assim já estou
Sim, eu já coloquei a máscara
Estou pronto pra ser quem não sou
É normal e rotineiro agir dessa forma
Não sou eu apenas quem faz assim
Cada vez mais hipócrita isso tudo se torna
Honestidade e ser sincero te conduzem ao fim
Quem faz certo, anda na contramão
Ética é papo de introdução à universidade
Vai agir de bom grado, que o rumo é o chão
Na vida real, as regras não condizem com a forjada verdade
E falando em verdade, que diabos é isso?
Em terra de sapo, mandaram-me coaxar
Será que esses 'rolos' não chegam ao Fisco
Ou o honesto é quem vai tributar?
Tributo é assunto que faz sofrer
Tanta gente se mantando todo dia
Se matando só pra comer
Quem está aqui, não são eles...
Somos nós que estamos na coxia.
Ignácio,
cansado disso tudo...
sábado, 27 de novembro de 2010
A TV me faz ver
Tem bala rasgando a rua
Tem fogo torrando o busão
Bandido correndo com perna ferida
mas o rifle continua na mão
Do morro fogem em corrida
Cenas de um vaticínio documentário
"Nego" arrastado pelo parceiro
- Não vai deixar o "mano" ser otário!
Mas os "invocado" não são "besta"
"Tão" recuando, mas voltar eles vão
Tem playboy querendo bagulho extra
Esses dias "atrapalhou" a produção
"Corre, corre porque resolve!
Acuado nós já tamo, anda logo, porra!"
"Mas matar eles num pode
Tamos ao vivo no jornal
Eles num quer que nós morra!"
E "vamo" pedir pro Rio paz
Afinal a Copa tá chegando
Se isso é guerra, de verdade, quem a faz?
Pena que os civis não "tão" exergando
Estado versus Crime Organizado
O que será que tá em jogo?
É mesmo o fim dos meninos marginalizados,
Ou é a troca dos donos do "bolo"?
E muitos "funk" nesses dias vão nascer
Pras "potrancas" a bunda balançar
Lençois em branco encardido irão erguer
Pras "polícia" os "manolos" não matar
Ignácio
Tem fogo torrando o busão
Bandido correndo com perna ferida
mas o rifle continua na mão
Do morro fogem em corrida
Cenas de um vaticínio documentário
"Nego" arrastado pelo parceiro
- Não vai deixar o "mano" ser otário!
Mas os "invocado" não são "besta"
"Tão" recuando, mas voltar eles vão
Tem playboy querendo bagulho extra
Esses dias "atrapalhou" a produção
"Corre, corre porque resolve!
Acuado nós já tamo, anda logo, porra!"
"Mas matar eles num pode
Tamos ao vivo no jornal
Eles num quer que nós morra!"
E "vamo" pedir pro Rio paz
Afinal a Copa tá chegando
Se isso é guerra, de verdade, quem a faz?
Pena que os civis não "tão" exergando
Estado versus Crime Organizado
O que será que tá em jogo?
É mesmo o fim dos meninos marginalizados,
Ou é a troca dos donos do "bolo"?
E muitos "funk" nesses dias vão nascer
Pras "potrancas" a bunda balançar
Lençois em branco encardido irão erguer
Pras "polícia" os "manolos" não matar
Ignácio
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Falando de nada....
Os poetas sempre têm muito a falar. E falam tanto que até mesmo quando não têm nada para dizer, acabam dando início a uma construção do porquê da ausência, ou por que não dizer, da presença do nada.
Se eu fosse poeta, eu faria o mesmo!
Mas agora, os pernilongos picam meus pés, sugando meu sangue sofrido. Essa coceirinha que me causam, é de certa forma gostosa. Vou coçando, coçando... e o sono parece querer chegar...
Céleres muriçocas! Negras, pernas longas de top model, esbeltas e a cada geração maiores. Quando eu era mais infantil, sempre me lembravam o 14 Bis... Agora, todas vocês me lembram da famosa e por assim dizer, Dengue. E sei que é o primo de vocês o grande vilão, ou melhor, o escolhido para tal função. Mas quanta semelhança!
Sempre me deu muito prazer em jogar algum desses sprays inseticidas em vocês!
Na verdade, só é melhor matar baratas, mas em segundo plano, exterminar parte de vocês é uma delícia! Um ritual!
Minha fraca mente, no confronto id-ego, diz: “Como é, perder tempo falando de muriçoca?”
E eu respondo: “Se a Lispector falou de barata, por que eu não posso falar de vocês? (E olha que ela era mulher e barata sempre é uma coisa mais nojentinha.)”
Sempre e em toda parte, talvez não no Itamaraty e nas mansões de gente mui besta, mas no resto das vidas, vocês sempre dão o ar de presença.
Como vocês não sabem ler, creio eu, vou parar por aqui, já que poeta não sou e do nada, nada sei.
Se eu fosse poeta, eu faria o mesmo!
Mas agora, os pernilongos picam meus pés, sugando meu sangue sofrido. Essa coceirinha que me causam, é de certa forma gostosa. Vou coçando, coçando... e o sono parece querer chegar...
Céleres muriçocas! Negras, pernas longas de top model, esbeltas e a cada geração maiores. Quando eu era mais infantil, sempre me lembravam o 14 Bis... Agora, todas vocês me lembram da famosa e por assim dizer, Dengue. E sei que é o primo de vocês o grande vilão, ou melhor, o escolhido para tal função. Mas quanta semelhança!
Sempre me deu muito prazer em jogar algum desses sprays inseticidas em vocês!
Na verdade, só é melhor matar baratas, mas em segundo plano, exterminar parte de vocês é uma delícia! Um ritual!
Minha fraca mente, no confronto id-ego, diz: “Como é, perder tempo falando de muriçoca?”
E eu respondo: “Se a Lispector falou de barata, por que eu não posso falar de vocês? (E olha que ela era mulher e barata sempre é uma coisa mais nojentinha.)”
Sempre e em toda parte, talvez não no Itamaraty e nas mansões de gente mui besta, mas no resto das vidas, vocês sempre dão o ar de presença.
Como vocês não sabem ler, creio eu, vou parar por aqui, já que poeta não sou e do nada, nada sei.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Tudo seria mais simples se eu fosse mais simples
e não procurasse ver-te, conhecer-te além do véu, vida...
Tudo seria mais simples se eu não me castigasse nessas linhas.
E elas surgem do teu enigma e me amarram em teu rosto.
Tudo seria mais simples se não conhecesse em mim, a necessidade de conhecer o que não sei...
E se a minha sede pelo desconhecido não me deixasse mais eufórico e inutilmente preocupado,
seria mais um pardal que não anseia por ares mais altos.
Como queria chegar a ter vontade de ser mais simples e não me perguntar tanto,
não me envolvendo nos meus lapsos e incógnitas, vivendo débil e tolamente.
e não procurasse ver-te, conhecer-te além do véu, vida...
Tudo seria mais simples se eu não me castigasse nessas linhas.
E elas surgem do teu enigma e me amarram em teu rosto.
Tudo seria mais simples se não conhecesse em mim, a necessidade de conhecer o que não sei...
E se a minha sede pelo desconhecido não me deixasse mais eufórico e inutilmente preocupado,
seria mais um pardal que não anseia por ares mais altos.
Como queria chegar a ter vontade de ser mais simples e não me perguntar tanto,
não me envolvendo nos meus lapsos e incógnitas, vivendo débil e tolamente.
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