terça-feira, 1 de março de 2011

Meu amigo violão.
No fim, só me restou tu.
Eu te abraço no meu colo e, no teu colo, choro em melodia penosa.
Nos meus acordes mal feitos, sinto o teu abraço que afasta meu vazio.
Nas tuas cordas vibro na tentativa de sair desta dimensão que deu pra ser mesquinha comigo.
No teu corpo liso, meu braço descansa e repousa rápido.
No teu braço, faço carinho e logo minha melancolia foge.
És meu companheiro nessas noites frias, apesar de tu insistires em ser só violão.
Mas sei que estás além, és amigo de madeira, metal e som, calor e emoção.
Há um grito que não posso gritar
e lágrimas que não vou deixar cair,
murmúrios que não vão soar
e dores que fingirei não sentir.

Há um  pranto que  vou silenciar
e mentiras que vão ruir,
abrindo feridas na minha alma
e desfazendo meu sorrir.

São as horas de solidão e de morte
em que a luz da vida cessa,
em que não adianta cantarolar à sorte.
A dor é tamanha e minha canção é cega.

E assim, nascem apenas versos tristes,
desses que a gente nunca quer entoar.
Minha alegria já não existe
só restando lamúrias pra lamentar.

São de flores e de pedras que a vida é traçada.
Tão poucas são as que vi florir.
Meus pés cansados estão da caminhada,
cansados de tantas agruras sentir.

Oh, Deus! Eu quero a fé dos mais dóceis.
Quero os versos da Coralina*,
a sabedoria do poeta matuto,
A alegria da luz matutina...

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* Cora Coralina, grande poetisa e ser humano.
Conheça mais sobre ela: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina

Lua

Imagem livre na Internet
Que esta chuva cesse logo e eu possa te ver.
Que tua luz toque minha pele e tua prata ao me envolver, 
minha cor morena teu raiar transforme.
Que a magia da noite em meu corpo escorregue e que as estrelas matem meus medos.
Que os grilos e sapos façam festa ao celebrar a vida e que a escuridão dos céus dance ao som das melodias das criaturas menores.
Que os pássaros noturnos me levem em carona amiga em suas asas e que eu, ao tocar o véu, rasgue-o pra chegar a ti e beijá-la, lua minha.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Eu quero cantar uma canção que afogue meus medos e receios da vida futura.
Eu quero uma certeza do sucesso e regozijar-me na alegria deste.
Quero cantar em tons e semitons, desde que seja pra ser feliz e sempre ter luz.
Sim, eu quero a amizade mais sincera que existe e louvá-la e que esta seja inspiração de poemas e que a poesia nasça e não morra nunca em mim.
Quero o mais apurado dos prazeres humanos e que estes não profanem a divindade que é esquecida, mas que a coroe e a honre.
Quero o mais límpido dos sorrisos e o mais brilhante dos olhares e que tua pupila seja para sempre minha paz e abrigo.
Quero teu abraço que me tira dessa dimensão e me faz ser mais crente na grandeza da Existência.
Quero sempre a satisfação de nosso encontro e que sempre a transcendência nos envolva em esferas brilhantes e que as notas de nosso violão nos façam flutuar numa massagem acima da compreensão.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Com você (Ao amigo leal)

Com você, cada minuto passa freneticamente, as horas são poucas e os dias insuficientes para estar ao seu lado.
Com você tudo é motivo de canção, cada segundo é mais que pura emoção, é luz, é um renascer de definições...
Com você, sempre tem uma música para tema, sempre tem calor, tem sinceridade.
Com você, mergulho na alma  e aprendi a sorrir de verdade.
Com você, a vida vale realmente a pena, mesmo nublado o sol é quente, e minha alma não é pequena.
Com você, meu sorriso se abre e minha sorte é favorecida, minha infância volta, minha coerência tira férias e minha rima, gargalha.
Com você, canto, louvo a poesia e bato o pé no chão.
Com você, desejo que o tempo pare e que prossigamos a nos conhecer.
Com você, a despedida é a mais dolorosa das dores, é pior que uma faca no peito, o mais temível dos dissabores, as mais amargas das lágrimas, choro...
Para você, meus mais doces poemas, minhas mais delicadas canções, meu mais forte abraço...
Para você, minha vida, minha mais fiel amizade e essas linhas simplórias.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tem uma montanha de sonhos destruídos. Há rios de lágrimas e corpos neles sendo levados até o mar da desilusão...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Enfim, chuva...

A chuva veio ontem, lavou essa terra, apaziguou o calor, o que faz de imediato minhas glândulas sudoríparas ter um pouco de sossego...

O cinza que toma conta dessas ruas me é tão confortante...
Ele faz tudo ficar mais fácil para mim, mais perceptível...
Diminuem a quantidade de pessoas nas ruas, ficam só os pingos no chão da pracinha, uns cães insistentes e jovens que repetem a cada estação a velha oportunidade de jogar uma pelada defronte à matriz, com o busto do Emílio dando uma de juiz.
É um programa novo tomar banho de chuva, afinal, sol o ano todo entedia...
Não se precisa de chuva para a poesia nascer, mas essa calmaria que invade, é um convite para aquietar-se e escrever algo, criticar a programação da TV aberta, xingar o cachorro que está molhado e "gritando"...
A dinâmica da vida é uma grande orquestra, cheia de maestros, de músicos relutantes, de sons repetidos, mas necessários...
A chuva aqui torna as coisas mais simples, mais vivas e mais minhas. Eu tomo todas as ruas, todas as árvores e os pardais encharcados para mim. Tudo me pertence enquanto os outros escondem-se em suas casas.